Raphael Costa, CEO do Grupo 220, destaca cinco pontos que devem entrar no radar dos executivos, entre estratégia, pessoas, tecnologia, processos e desenvolvimento de competências
O segundo semestre costuma ser marcado pela pressão para cumprir metas e fechar resultados, mas também pode ser um período estratégico para as empresas revisarem decisões e se prepararem para o próximo ciclo. Para Raphael Costa, CEO do Grupo 220, os líderes precisam aproveitar os meses restantes de 2026 para avaliar o que mudou no mercado, identificar gargalos e preparar as equipes para novas demandas.
“O segundo semestre não deve ser apenas uma corrida para entregar o que foi planejado. É o momento de analisar o que funcionou, corrigir rotas e construir as condições para o próximo ciclo”, afirma Raphael Costa.
A revisão ganha importância diante da velocidade das transformações no mercado de trabalho. Segundo o Future of Jobs Report 2025, do World Economic Forum (WEF), cerca de 39% das habilidades utilizadas atualmente pelos trabalhadores deverão ser transformadas ou ficar desatualizadas até 2030. O levantamento também aponta que 63% dos empregadores consideram a lacuna de competências um dos principais obstáculos para a transformação dos negócios.
Cinco pontos que os líderes devem revisar
Na avaliação de Raphael Costa, a preparação para o próximo ciclo deve começar ainda em 2026. Entre os principais pontos estão:
1. Estratégia
As prioridades definidas no início do ano continuam adequadas diante das mudanças no mercado, no comportamento dos consumidores e no cenário econômico?
2. Pessoas e competências
As equipes possuem as habilidades necessárias para executar a estratégia? Onde existem lacunas que exigem treinamento, desenvolvimento ou contratação?
3. Processos
Quais atividades consomem tempo e recursos sem gerar resultados proporcionais? A revisão de processos pode revelar oportunidades de ganho de produtividade.
4. Tecnologia e inteligência artificial
Quais ferramentas podem automatizar tarefas, apoiar a tomada de decisão e liberar os profissionais para atividades de maior valor?
5. Próximo ciclo
Quais decisões precisam ser tomadas ainda neste ano para que a empresa não comece 2027 apenas reagindo às mudanças do mercado?
“Uma estratégia só funciona quando existe capacidade de execução. Por isso, olhar para as competências das equipes é tão importante quanto revisar metas e indicadores”, explica o CEO.
Liderança terá de combinar tecnologia e habilidades humanas
A transformação do mercado também exige mudanças no perfil dos líderes. O WEF aponta inteligência artificial e big data, pensamento criativo, resiliência, flexibilidade, agilidade, curiosidade e aprendizagem contínua entre as competências que devem ganhar relevância nos próximos anos. Liderança e influência social também aparecem entre as habilidades com maior tendência de crescimento.
Na América Latina e no Caribe, 84% dos empregadores afirmam que pretendem capacitar suas próprias equipes para atender à crescente demanda por competências digitais e tecnológicas, segundo o levantamento.
Para Raphael, o avanço da tecnologia não reduz a importância das competências humanas. Ao contrário, aumenta a necessidade de profissionais capazes de interpretar cenários, tomar decisões e conduzir pessoas em ambientes de mudança.
“O líder de hoje precisa entender tecnologia e dados, mas também precisa saber lidar com pessoas, comunicar decisões e conduzir equipes em situações de incerteza. Uma competência não substitui a outra”, afirma.
O cenário também reforça a necessidade de aprendizagem contínua. De acordo com o WEF, 59% dos trabalhadores deverão precisar de capacitação, requalificação ou atualização profissional até 2030 diante das mudanças nas competências exigidas pelo mercado.
As competências que ganham espaço na liderança
Para Raphael Costa, cinco habilidades devem receber atenção especial dos executivos:
Pensamento estratégico: capacidade de analisar cenários, antecipar movimentos e tomar decisões além das demandas operacionais.
Adaptabilidade: disposição para rever estratégias e decisões diante de novas informações e mudanças no mercado.
Inteligência tecnológica: compreensão sobre como recursos como inteligência artificial e análise de dados podem contribuir para produtividade e gestão.
Gestão de pessoas: capacidade de desenvolver equipes, delegar responsabilidades, oferecer feedback e manter profissionais engajados.
Aprendizado contínuo: disposição para atualizar conhecimentos e desenvolver novas competências de acordo com as transformações do mercado.
Mais do que acompanhar indicadores, a revisão do segundo semestre pode ajudar os líderes a identificar quais mudanças precisam começar antes da virada do ano. A combinação entre tecnologia, estratégia e desenvolvimento humano tende a ser determinante para empresas que buscam crescer em um ambiente de transformação constante.
“A pergunta para este segundo semestre não é apenas ‘vamos bater a meta?’. É também ‘estamos nos tornando uma empresa mais preparada para o que vem depois?’. Essa reflexão precisa fazer parte da agenda da liderança”, conclui Raphael Costa.
Sobre Rafael Costa
Raphael Costa é CEO do Grupo 220 e atua em temas relacionados a liderança, estratégia, gestão e desenvolvimento de negócios. Como porta-voz, está disponível para entrevistas sobre liderança estratégica, competências profissionais, transformação do mercado de trabalho, inteligência artificial e desafios da gestão em 2026.
