Cândida Cataldi revela a conversa que o empresário não está tendo porque tem medo de ter

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NR-1, geração Z, processos trabalhistas, carga tributária. Existe uma narrativa simplificada que está prejudicando tanto empresas quanto colaboradores. Especialista propõe a conversa real, sem simplificar o que é genuinamente complexo


Por Cândida Cataldi | Psicanalista Estrategista de Carreira e Negócios com Saúde Mental Integrada, Conselheira de Expansão com 20 anos de trajetória


Empresários têm medo de gerir pessoas. Colaboradores têm medo de perder o emprego. E ninguém está falando disso com honestidade suficiente.


A psicanalista estrategista Cândida Cataldi é direta: existe uma narrativa em circulação sobre saúde mental no trabalho que está sendo absorvida de duas formas igualmente problemáticas. De um lado, quem a trata como mimimi. Do outro, quem usa a pauta como escudo para qualquer conversa difícil. Ambas simplificam um problema genuinamente complexo.


O lado do empresário, que raramente é dito em voz alta
Quem empreende no Brasil sabe de cor o peso que carrega. O Brasil tem uma das maiores cargas tributárias do mundo em desenvolvimento: empresas podem pagar entre 34% e 50% de impostos sobre o lucro.


O custo de um funcionário com carteira assinada pode chegar a 70% a mais do que o salário bruto. Cada nova obrigação regulatória, por mais legítima que seja, chega sobre uma estrutura já no limite.


Some a isso o medo jurídico. O Brasil é o país com mais processos trabalhistas no mundo: mais de 5 milhões de ações por ano tramitam na Justiça do Trabalho. Um líder que cobra resultado de uma forma considerada abusiva por um colaborador pode enfrentar um processo, mesmo que tenha agido dentro do que acreditava ser gestão normal.


“Não é justo, e não é útil, pedir que empresários e líderes cuidem da saúde mental das equipes sem reconhecer o ambiente de insegurança jurídica, tributária e emocional em que eles próprios operam. Quem cuida de quem cuida?”


A distinção técnica que ninguém explica: educação não é terapia


Educação gera conscientização. Pode, ao longo do tempo, criar novas sinapses neurais que modificam hábitos e comportamentos. É o primeiro nível de intervenção, necessário e relevante. Mas tem um limite: ela atua no nível do que a pessoa sabe e pensa, não no nível do que ela automaticamente faz quando está sob pressão.


Quando o padrão não muda com educação, quando a pessoa entende cognitivamente o que precisa mudar mas continua repetindo o comportamento, é porque o padrão está numa camada mais profunda que o pensamento consciente. É aqui que a intervenção terapêutica entra.


“Mentalidade não muda com palestra. Muda com processo. E processo exige tempo, método e a honestidade de reconhecer que existem camadas que o treinamento não alcança.”


Do indivíduo para o coletivo: a sequência que não pode ser invertida


O clima organizacional é o produto agregado dos estados internos de quem o habita. Se os líderes não têm espaço para trabalhar o que carregam, eles vão inevitavelmente contaminar o campo com o que não foi elaborado.
Não por má vontade. Por falta de estrutura e de suporte para fazer diferente.


“A conversa difícil sobre saúde mental no trabalho não começa com política corporativa. Começa com a honestidade de cada líder olhar para si mesmo primeiro.”
Energia Sistêmica é um ecossistema de Posicionamento, Saúde Organizacional e Educação Corporativa integrados sob a Metodologia Presença Estratégica®. Presente desde 2020 com atuação em 27 estados e 12 países, impactando mais de 5.600 profissionais. Acesse: energiasistemica.com

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