Professora Cris Oliveira explica por que citar filósofo e usar palavras difíceis não garante nota alta e dá dicas para a última semana e para o dia da prova
Citar filósofo, usar palavras rebuscadas e evitar a coletânea são algumas das crenças que circulam entre candidatos na reta final de preparação para a redação do Enem. Para a professora, escritora e empresária Cris Oliveira, fundadora da Cris Oliveira – Tudo de Texto – Soluções Educacionais e para a Escrita, esses mitos podem atrapalhar mais do que ajudar. A especialista, que prepara estudantes para vestibulares concorridos e provas discursivas, esclarece as dúvidas e orienta para a última semana e para o dia da prova.
Mitos e verdades
Sobre a ideia de que é preciso citar filósofo, Cris é direta: é mito. “O uso de repertório precisa ser produtivo”, afirma, ou seja, deve conversar com o tema e sustentar o argumento. Na proposta do ano passado, sobre o envelhecimento populacional, citar Platão pouco explicaria a realidade brasileira. “Se a menção a Platão for retirada, a compreensão do parágrafo praticamente não muda”, diz. Para ela, o repertório precisa ser legitimado, relacionado ao tema e bem aproveitado no texto.
Também é mito que palavras difíceis rendem notas maiores. “O simples bem-feito é poderoso”, afirma a professora, que alerta para o uso de sinônimos sem critério e para termos como “outrossim” em textos com desvios básicos de regência, concordância e vírgula. Já a nota 1000 não é impossível: “É difícil, bem difícil”, resume. Ela admite, no máximo, dois desvios e exige que todas as partes do texto estejam alinhadas, o que, segundo Cris, “requer dedicação, constância e consistência”.
Outro mito é o de que não se deve usar a coletânea. Para a professora, os textos motivadores existem para dar suporte ao candidato. “Ele precisa dialogar com a coletânea”, diz. Citar dados ou ideias com as próprias palavras é permitido, mas copiar trechos pode levar à anulação.
Última semana: reforçar, e não inovar
Nos últimos dias, Cris recomenda revisar textos já produzidos, ler sobre atualidades, rever questões erradas e fazer duas ou três redações com correção orientada. O que evitar é tentar aprender tudo o que ficou para trás. “O Enem é uma prova, acima de tudo, de resistência”, lembra. Mudar a estrutura do texto nessa fase também não é indicado. “Vestibular é igual a uma final de Copa do Mundo. Tem que executar aquilo para o qual se preparou”, compara.
No dia da prova
O primeiro dia reúne 90 questões de Linguagens e a redação em cinco horas e meia. Cris recomenda começar pela redação: ler a coletânea e a proposta, montar um plano de texto em cerca de 15 minutos, fazer um rascunho rápido e seguir para as objetivas, revisando e passando a limpo na metade da prova. Ao passar para a folha definitiva, é preciso cuidado para não omitir trechos nem rasurar demais e ultrapassar as 30 linhas. Ela sugere caneta preta de tubo transparente e ponta fina, de 0,7 ou 0,9, e menos espaço entre as palavras.
Para chegar mais tranquilo, a dica é simples. “Prepare-se. Durma bem, alimente-se bem, saia de casa com antecedência”, diz Cris, que reforça a importância de treinar e ler sempre. “Tal hábito pode ser a diferença entre uma nota mediana e uma nota acima da média”, conclui.
Cris Oliveira é professora, escritora e empresária, fundadora da Cris Oliveira – Tudo de Texto – Soluções Educacionais e para a Escrita. A professora também desenvolve um método de ensino personalizado voltado ao aprimoramento da comunicação escrita e oral.
Atua na preparação de estudantes para vestibulares altamente concorridos, provas discursivas e concursos públicos, além de apoiar profissionais e empresários no desenvolvimento da escrita estratégica. Seu trabalho une técnica, repertório, pensamento crítico e fortalecimento da confiança, com resultados em aprovações para instituições como USP, FGV, Insper e Santa Casa.
